Quando o teste deu positivo, a primeira coisa que meu marido fez foi abrir uma planilha. Ele é assim. Metódico, organizado, assustado com preço de filho. A linha que mais doeu na planilha foi a do quarto: berço, cômoda, kit de roupa de cama, cortina, tapete, luminária. Ele somou tudo e virou o notebook pra mim com uma cara que eu não vou esquecer.
Passava de R$3.000 só no básico. Sem decoração. Sem nada bonito.
Eu me recusei a aceitar aquilo como verdade definitiva.
Não por teimosia. Eu já tinha uma desconfiança, desde antes de engravidar, de que o mercado infantil pratica um tipo de precificação que depende muito do estado emocional de quem está comprando. Grávida compra com o coração. E quem vende sabe disso.
Comecei a pesquisar de um jeito diferente. Não produto por produto. Comecei a pesquisar como esse mercado funciona por dentro. Quem fabrica, quem distribui, onde a margem está, em que momento do ano o estoque precisa girar e o vendedor aceita negociar de verdade.
Foi nessa pesquisa que encontrei uma mulher que trabalha há anos como compradora de enxoval pra uma rede de lojas infantis. Não vou dizer como cheguei até ela porque o caminho é longo de explicar, mas chegamos a trocar mensagem por uns três dias seguidos enquanto ela me explicava como o setor funciona.
O que ela me ensinou tinha dois pilares. O primeiro era sobre timing: existe um período específico do ano em que os lojistas precisam girar estoque antes de receber a coleção nova e topam negociar de um jeito que em qualquer outro mês seria impossível. Não é Black Friday, não é Janeiro. É um período que a maioria das pessoas não associa a desconto em produto infantil.
O segundo pilar era sobre canal de compra. Existe uma camada desse mercado que fica entre o fabricante e a loja que a maioria dos consumidores finais nunca acessa porque não sabe que existe. Não é atacado convencional. Não é site de importado. É um canal que ela me descreveu com detalhes e que eu testei na prática algumas semanas depois.
Resultado: berço, cômoda com espelho, kit de berço completo, cortina blackout e tapete. Tudo novo, tudo com nota, tudo dentro do que eu queria em questão de qualidade e estética.
R$780 no total.
Minha mãe foi ao quarto quando o bebê tinha duas semanas e perguntou quanto tinha custado. Quando falei, ela ficou em silêncio por uns três segundos e disse que eu estava mentindo. Mostrei os recibos.
Ela pediu o contato da compradora. Eu entendi o motivo.
Não coloco esse contato nem o nome do canal aqui porque essa mulher não quer exposição e porque o que ela me ensinou funciona exatamente porque não é do conhecimento geral. No dia em que todo mundo souber, deixa de funcionar do jeito que funcionou pra mim.
Mas eu conto pra quem me perguntar do jeito certo. Com calma, na ordem certa, sem pular etapa. Quem tiver interesse vai encontrar como chegar até mim aqui na página.

