Eu não planejei virar revendedora. Aconteceu do jeito que as melhores coisas costumam acontecer: por acidente, num momento em que eu estava procurando outra coisa.
Estava num grupo de mães no WhatsApp quando uma mulher postou fotos de roupas infantis tamanho quatro acima com preços que me fizeram olhar duas vezes. Não eram preços de promoção relâmpago. Eram preços que simplesmente não faziam sentido comparado com o que eu via em qualquer loja, física ou online.
Mandei mensagem pra ela em particular perguntando de onde vinham aquelas peças.
Ela demorou dois dias pra responder. Quando respondeu, não me deu o nome do fornecedor. Me disse que tinha passado quase um ano pesquisando até encontrar e que não compartilhava em aberto porque a vantagem estava exatamente em poucas pessoas terem esse acesso. Mas topou conversar com calma se eu tivesse interesse real em revender também.
Conversei. E o que ela me explicou naquela semana reorganizou completamente o que eu achava que sabia sobre como funciona o mercado de roupa infantil.
O atacado convencional que aparece no Google é real, funciona, mas tem uma limitação que a maioria das revendedoras iniciantes não percebe logo: todo mundo compra do mesmo lugar. Quando todo mundo compra igual, o produto fica parecido, o preço nivelado e a única saída é competir por centavo ou por alcance de público. Os dois cansam rápido.
O que ela me mostrou era uma camada diferente. Fornecedores que trabalham com volume menor por pedido, renovação de coleção mais frequente, peças com um acabamento que se destacam numa foto de grupo do WhatsApp sem precisar de explicação. O tipo de produto que a mãe vê e já manda mensagem antes de perguntar o preço.
Fiz meu primeiro pedido pequeno só pra testar se o que ela tinha me dito era verdade. Postei no grupo que eu já participava como compradora, sem criar nada novo, sem Instagram, sem stories elaborado. Foto simples, preço, tamanhos disponíveis.
Três dias. Tudo vendido. Uma mãe me perguntou se ia ter mais.
A partir daí foi questão de entender o ritmo: quando pedir, quanto pedir, como apresentar nos grupos sem parecer spam e como construir uma base de clientes que avisa quando quer antes mesmo de eu postar.
Hoje tenho grupos próprios. Tenho mães que me mandam mensagem no começo do mês perguntando o que vai chegar. Tenho um faturamento mensal que no mês passado ultrapassou o que eu recebia no trabalho fixo que pedi demissão faz seis meses.
Tudo isso sem loja, sem funcionário, sem estoque gigante parado e sem depender de algoritmo de rede social pra vender.
O que faz esse modelo funcionar é o fornecedor. Não existe versão disso com fornecedor errado. Já vi muita mãe tentar e travar porque comprou de atacado convencional, ficou com peça parada e desanimou achando que o problema era ela.
O problema nunca foi ela.
Não coloco o fornecedor aqui em aberto porque continua sendo a peça principal de tudo. Mas quem tiver interesse em entender como funciona esse modelo do começo, incluindo por onde começar sem gastar muito no primeiro pedido, vai encontrar como chegar até mim aqui na página.

