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O bom menino não faz xixi na cama. Não faz mesmo?

Por que nossos filhos precisam falar antes dos priminhos? E qual a vantagem de eles andarem antes dos amiguinhos da classe?

Ouvi de uma mãe (na verdade, minha irmã), a frase: “A gente não vê a hora de eles andarem e falarem pra gente pedir para eles sentarem e ficarem quietos por pelo menos um minuto”.

Muitas vezes, os pais vêem o controle do esfíncter de uma criança como um sinal de inteligência e, quanto mais cedo ocorrer, melhor. Mas, melhor para quem?

Precisamos aprender a lidar com nossas expectativas. Não podemos jogar nas costas de nossos filhos a responsabilidade de suprir nossos anseios e até nossas frustrações. Sempre queremos antecipar fases, acelerar o seu desenvolvimento e, ao final, não nos cansamos de repetir que eles crescem muito rapidamente, que eles deveriam permanecer crianças por mais tempo... Meio incoerente, não é não?

Isso vale, também, para o controle do xixi e do cocô (controle esfincteriano). Há um tempo necessário e importante para cada fase. Se abreviarmos esse ritmo, uma criança que não tem maturidade suficiente para controlar seus esfíncteres (músculos que controlam a saída da urina e fezes) e é forçada a deixar as fraldas, pode ter sérios problemas de incontinência urinária ou de intestino preso.

Portanto, não há nada melhor do que dar tempo ao tempo. Assim, o que nos cabe é acompanhar e observar, reconhecer e agir (ou não) para propiciar condições no sentido de que nossas crianças sigam o seu tempo, o seu próprio ritmo, nesse controle e nesse caminho de independência.

Pensa que é assim? Fácil?

Sentir vontade.

Identificar essa vontade.

Contrair o esfíncter adequado (para não escapar).

Levantar-se e ir até o local adequado (às vezes tendo que correr para dar tempo, com esse esfíncter contraído).

Retirar a roupa necessária (incluindo fraldas, às vezes) para executar a ação.

Liberar o esfíncter adequado (e às vezes fazer força para eliminar o conteúdo).

Ficar sentado pelo tempo necessário para que a ação se complete.

Sentir que não há mais nada a sair.

Limpar-se (ou chamar alguém para isso).

Recolocar a fralda e a roupa (ou chamar alguém para isso).

Levantar-se e só então voltar às suas atividades anteriores.

Imagine tudo isso, quando a criança, ainda por cima, está dormindo.

Sentir essa vontade, acordar, levantar-se da cama e... até voltar para a cama e continuar a dormir.

Esse é o total controle do esfíncter.

Ao nascer o bebê não possui nenhum domínio sobre os esfíncteres. Ele urina e evacua, mas somente com o tempo ele saberá o que está fazendo. São muitas as fases envolvidas nesse ato, inclusive o controle da nossa ansiedade (a dos pais) para acabar com esse período custoso, tanto do ponto de vista financeiro, como de tempo e paciência.

Mas para isso, há uma regra básica: cada criança tem o seu tempo (assim como para quase todos os novos comportamentos aprendidos). E nós só podemos apoiar e, no máximo, propiciar condições favoráveis, sem críticas, acusações ou cobranças, sob pena de trazermos mais problemas para nós mesmos.

Mês que vem, vamos retomar o assunto, tentando compreender melhor o que acontece e o que podemos fazer para ajudar (ou pelo menos, não atrapalhar).

 

Dr. Yechiel Moises Chencinski
Telefone: 11-3285.2105 / 3284.0992

http://www.doutormoises.com.br

 


 


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